Acordar cedo pode ser uma dádiva para muitas pessoas, mas um pesadelo para diversas outras, especialmente para quem costuma dormir tarde da noite e sacrificar madrugadas em prol de diversão e entretenimento. Mas você sabia que essa prática, muito popular entre as famosas, tem grandes benefícios comprovados para a saúde?
Gisele Bündchen tem a manhã como a principal aliada da sua vida saudável, Jade Picon também pula da cama logo nas primeiras horas do dia. Jennifer Aniston já contou mais de uma vez que é do time que acorda cedo e Ana Maria Braga, então, virou praticamente um símbolo brasileiro da manhã.
Mas, antes de pegar as famosas como exemplo e transformar isso em meta, a ciência nos lembra que acordar cedo ou tarde não é só hábito e tem muito de biologia nessa história. O jeito como cada pessoa organiza sono e vigília costuma seguir ritmos internos chamados cronotipos, ou seja, é como se o corpo tivesse um relógio próprio, que prefere certos horários para desligar e para funcionar.
E, segundo pesquisas recentes, esse 'relógio biológico' pode estar ligado a padrões de saúde, comportamento e até risco de doenças ao longo da vida.
Em termos simples, cronotipo é a tendência natural do seu corpo para dormir e acordar mais cedo ou mais tarde. As 'cotovias' são aquelas pessoas que rendem mais no começo do dia e costumam acordar com facilidade, enquanto as 'corujas' costumam ficar mais ativas à noite, produzem melhor no fim do dia e sofrem para levantar cedo.
Uma pesquisa recente publicada no 'Journal of the American Heart Association' analisou dados de mais de 300 mil participantes e encontrou um sinal de alerta em quem tem cronotipo noturno. De acordo com o estudo, pessoas que preferem acordar em horários mais tarde apresentaram maior risco de desenvolver problemas cardiovasculares em comparação com quem é mais matutino.
Segundo os resultados, o cronotipo noturno foi associado a até 16% mais probabilidade de sofrer um ataque cardíaco ou um AVC quando comparado a cronotipos intermediários ou matutinos. É o tipo de número que assusta, mas também precisa de explicações para não virar pânico de internet.
Os cientistas explicam que parte dessa diferença pode estar ligada ao chamado desalinhamento circadiano, ou seja, quando o relógio interno do corpo está acostumado e pede um horário, mas a rotina acaba impondo outro. Uma pessoa noturna, por exemplo, tende a dormir mais tarde. Só que trabalho, escola, compromissos e a própria organização do mundo costumam exigir manhãs cedo.
O resultado pode ser uma sequência de dias em que a pessoa dorme menos do que precisa, acorda 'no susto', pega pouca luz natural na hora certa e ainda come em horários que não são os ideais para o corpo. Esse desencaixe, segundo a explicação do estudo, pode influenciar processos biológicos importantes, como metabolismo e regulação do sistema cardiovascular.
Além do risco cardiovascular, outros trabalhos científicos apontam que cronotipos noturnos aparecem com mais frequência associados a hábitos menos favoráveis à saúde. A pesquisa cita maior consumo de tabaco, menor prática regular de atividade física, pior qualidade do sono e padrões alimentares menos saudáveis.
Do outro lado, quem dorme e acorda cedo costuma ter uma rotina mais regular e mais alinhada à luz do sol. Essa sincronia ajuda o corpo a acertar o relógio interno com o ambiente, o que pode favorecer um sono mais consistente e uma organização melhor do dia, bem como vários benefícios para a saúde.
Muitos estudos relacionam rotinas mais matutinas a melhores hábitos, como horários mais previsíveis para refeições, maior chance de fazer exercício cedo e uma estrutura diária mais estável. Em alguns casos, esse alinhamento aparece associado a um menor risco de problemas ligados ao metabolismo e à saúde cardiovascular.
O que os estudos apontam é que adaptar a rotina para horários mais cedo pode trazer benefícios quando isso melhora a qualidade do sono e a regularidade do corpo. Quando os horários de dormir acompanham melhor o ciclo natural do corpo, o organismo tende a entender com mais facilidade quando é hora de desligar, o que ajuda a adormecer mais rápido e manter um sono mais consistente.
E, quando o sono fica mais regular, alguns estudos sugerem um possível efeito protetor sobre transtornos de humor, como ansiedade e depressão, já que uma rotina estável favorece padrões hormonais mais equilibrados e melhor controle do estresse. Apesar dos benefícios, é importante ressaltar que não adianta acordar cedo e dormir pouco.
A ciência reforça que o essencial é dormir o suficiente e manter uma boa higiene do sono. Isso inclui deitar e acordar sempre em horários parecidos, reduzir telas antes de dormir e buscar luz natural ao acordar, porque isso ajuda o corpo a entender que o dia começou.